domingo, 8 de novembro de 2009

Os quatro rapazes da era digital


Por Nilton Carvalho

O site oficial dos Beatles divulgou no último dia 04 de novembro, quarta-feira, que uma versão digital da discografia da banda mais 13 documentários serão vendidos em versão digital. O material deve vir em um pen drive no formato de mação, símbolo da antiga gravadora dos Beatles, a Apple.

Seguindo as novas tendências tecnológicas, os Beatles pela primeira vez tiveram suas canções lançadas em formato digital, tecnologia que vem tirando o sono das grandes gravadoras. As mídias digitais têm causado grandes discussões porque apontam para os diferentes rumos que a música está seguindo.

Declarar a morte do CD é uma afirmação equivocada, porque assim como ocorreu com o vinil, o CD sempre terá seus consumidores. Mas, é evidente que as vendas caíram e que, dificilmente, algo possa ser feito para reverter este quadro.

É por isso que artistas e gravadores devem acompanhar as mudanças ocorridas com a chegada das novas tecnologias. Para que a era digital não signifique um pesadelo sem fim para artistas e gravadoras é necessário promover novos formatos que dialoguem com o consumidor de música contemporâneo.

Assim como o lançamento digital da discografia dos Beatles, outras possibilidades devem aparecer para reinventar o consumo de música, que parece estar em constante evolução a cada dia.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A vanguarda revolucionária

Por Nilton Carvalho

A mostra Virada Russa, que acontece no Centro Cultural do Banco do Brasil, traz um rico acervo diretamente do museu de São Petersburgo, contendo obras dos principais artistas da vanguarda russa do início do século XX. Nomes como Wassily Kandinsky, Kazimir Malevitch e Vladimir Tátlin beberam da fonte revolucionária que borbulhava no início do século para estabelecerem um marco definitivo na história das artes plásticas.

Liderada pelo russo Wassily Kandinsky (1866 – 1944), surge na Alemanha o movimento “Der blaue Reiter” (O Cavaleiro Azul), que contava também com Franz Marc (1880 – 1916) e Paul Klee (1879 – 1940). A depuração das formas e a não figuração idealizadas pelo movimento influenciaram a Bauhaus, que surgiria posteriormente em solo alemão.

O abstracionismo, liderado por Kandinsky, recebeu influências do expressionismo e do fauvismo e negava qualquer tipo de composição figurativa valorizando os sentimentos e emoções dos artistas para a criação de formas livres sem qualquer ligação com elementos reais. É importante ressaltar que a vanguarda russa ocorre em um momento bastante agitado na história, precisamente, em meados da revolução russa de 1917.

Artistas como Kazimir Malevitch (1878 – 1935) elaboraram uma verdadeira revolução no mundo das artes plásticas ao levar o abstracionismo de Kandinsky e Paul Klee à simplicidade extrema. Malevitch é considerado o fundador do suprematismo, que defendia a supremacia da sensibilidade das formas geométricas.

Em oposição ao suprematismo de Malevitch, surge o construtivismo, que defendia a participação ativa do artista no processo de produtivo. Liderados por Vladimir Tátlin (1885 - 1953) e Alexander Rodchenko (1891 - 1956), o construtivismo influenciou diretamente os primórdios do design moderno.

Elementos tradicionais do folclore russo adicionados às aspirações revolucionárias do início de século, que estavam em alta na Rússia, serviram de inspiração para muitos artistas da época que usavam a modernidade das agitações ocorridas nas metrópoles e a tradição espiritual do mundo rural para criarem suas obras.

A importância do contexto histórico em que a vanguarda russa tem suas raízes é de extrema importância para as artes plásticas, pois as idéias que surgiram a partir deste novo conceito definiram a história da arte. Assim como a revolução de 1917 mudou para sempre a história da política mundial, a vanguarda russa se tornou uma das escolas mais influentes e inovadoras da arte moderna.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Valorizando o diploma perdido


Por Nilton Carvalho

Para muitos estudantes de jornalismo a decisão tomada em junho pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que derrubou a obrigatoriedade do diploma de jornalista para exercer a profissão, soou como um desastre profissional.


Na última semana a comissão encarregada de desenvolver novos parâmetros para o curso de jornalismo, entregou algumas propostas ao ministro da Educação, Fernando Haddad. Uma das principais mudanças idealizadas pela comissão, cujo presidente é o professor José Marques de Melo, da Universidade Metodista de São Paulo, é a simultaneidade entre os ensinos teóricos e práticos, que juntos, dariam maior dinamismo ao curso.


Outra grande novidade pautada pela comissão é a separação do curso da área de Comunicação Social, reforçando a identidade com a autonomia de curso de Jornalismo, além do aumento das horas de 2,8 mil horas/aula para 3,2 mil horas/aula.O lado prático ficaria por conta de um estágio supervisionado pela universidade depois da conclusão do curso.


Obviamente que as medidas propostas pela comissão, que serão analisadas pelo Conselho Nacional da Educação, buscam aperfeiçoar o curso e torná-lo atrativo. Especialistas alertam sobre uma possível queda na procura dos cursos de jornalismo e é evidente que muitos alunos tenham se desmotivado após a decisão tomada pelo STF.


A grande polêmica que a decisão do Supremo Tribunal Federal despertou foi a necessidade do diploma para exercer a profissão jornalista. Levando em consideração os atributos técnicos obrigatórios, somente possuir o diploma não “forma” jornalistas de verdade. A vocação, muitas vezes aparece de maneira espontânea e, quando lapidada, se torna um talento de grande valor.


Por outro lado, a regulamentação profissional junto ao Ministério do Trabalho é necessária para definir a identidade de uma profissão que valoriza o conhecimento amplo da sociedade e das linguagens da comunicação. O diploma não forma o jornalista, apenas o direciona abrindo um universo de possibilidades para que ele desenvolva seu trabalho.


Reservar o mercado de trabalho apenas para jornalistas graduados exclui possibilidades como Norman Maileir e Truman Capote, que podem surgir de uma simples vocação, e se tornarem grandes profissionais. O jornalismo precisa ser regularizado como profissão, mas também maleável, sabendo reconhecer outros tipos de perfis profissionais, para que o jornalista continue sendo um importante comunicador social.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A sinfonia da solidão


Por Nilton Carvalho

Uma crônica baseada no caso do austríaco encontrado morto, seis meses depois, diante da TV...


A Sinfonia nº35 de Mozart ecoava em seu dó maior inconfundível vinda de algum lugar na pacata Salzburgo. Enquanto isso, a grande quantidade de cartas continuava a acumular na porta de Joseph, sem despertar a atenção dos vizinhos.

A cidade que atrai turistas de todos os lugares do mundo também esconde cantos solitários em que habitam pessoas esquecidas. Como fantasmas que vagam pelas ruas e, mesmo estando presentes, passam despercebidos aos olhares apressados dos cidadãos.

A vida de Joseph teve poucas mudanças desde que sua companheira Constanze se foi, há exatos cinco anos. Com a morte da esposa, veio também o abandono dos familiares.
O filho Weber era o único membro da família que ainda aparecia, mas logo após o nascimento dos gêmeos, as visitas se reduziram a datas de aniversário e Natal.

O pragmatismo das visitas do filho e a triste solidão dos últimos dias, de nada se pareciam com os tempos em que viveu com Constanze. A alegria que os visitantes encontravam em Salzburgo, cidade natal do gênio da música clássica Mozart, não fazia mais parte da vida de Joseph. Agora sua nova companheira era a televisão. Assistia sempre aos mesmos programas, alimentando seus dias com frieza e solidão na cidade medieval.

Nos últimos meses os vizinhos já não viam o velho Joseph, pensavam que ele talvez tivesse ido passar um tempo na casa do filho ou levado para algum asilo. Na verdade, ninguém jamais se importou em saber o motivo que levou o velho a desaparecer, todos tinham seus compromissos e deveres e não podiam perder tempo com assuntos de menor importância.

Mas a grande surpresa, é que Joseph não estava mais naquele apartamento há muito tempo, precisamente seis meses. A televisão foi sua companheira fiel e permaneceu ligada durante todo esse tempo assistindo Joseph desistir de viver.
Afinal, a vida parecia ter acabado no dia em que Constanze morreu e em seus últimos dias, Joseph apenas aguardava o momento de poder descansar ao lado dela. E assim fez, ao som de Requiem, a derradeira sinfonia da solidão.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Rock de Combate


Por Nilton Carvalho

Neste mesmo dia, em 1952, nascia o vocalista do The Clash Joe Strummer. Filho de um diplomata inglês e mãe turca, John Grahan Mellor logo mudou seu nome para Joe Strummer, ao entrar para o rock.

Assumiu os vocais do Clash ao lado do baixista Paul Simonon, o guitarrista Mick Jones e o baterista Terry Crimes. Crimes não ficaria muito tempo na banda, apenas gravou o primeiro disco e logo em seguida deixou a banda alegando divergências ideológicas. Com o novo baterista Nick Topper Headon, o Clash encontrou sua formação clássica e ganhou entrosamento.

Antes de formar o Clash Joe liderou o 101’s, que fazia um rock básico com influências de rockabilly e blues. Após assistir uma apresentação dos Sex Pistols, Joe decidiu que gostaria de fazer outro tipo de som. Mais pesado e com mais atitude. O Clash integrou a santa trindade do punk e ao lado dos Pistols e dos Ramones, influenciou inúmeras bandas como Rancid e Libertines, entre outros.

Com o The Clash, Joe Strummer gravou discos que estão em qualquer lista de melhores de todos os tempos, abordou questões políticas e provocou uma enorme revolução sonora ao misturar punk rock, até então um estilo musical pouco maleável, com outros estilos musicais como reggae, jazz, rockabilly e hip hop.

Após o fim do Clash, em 1986, Joe se dedicou a poucos projetos durante o final dos anos oitenta. Reapareceu somente na década de noventa com os Mascaleros, gravando três discos. Joe Strummer morreu no dia 22 de Dezembro de 2002 em sua casa devido à complicações cardíacas. Em 2003 o Clash foi homenageado ao entrar para o Hall da Fama do Rock, deixando um legado riquíssimo poucas vezes visto na história da música.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O mestre do suspense


Por Nilton Carvalho

Há cento e dez anos atrás, no dia 13 de Agosto, nascia na nebulosa Londres um dos maiores nomes do cinema, Alfred Hitchcock. Mundialmente conhecido pela maneira brilhante de dirigir filmes de suspense, Hitchcock é considerado um marco na história da sétima arte.

Sua estréia aconteceu em uma companhia americana sediada na capital inglesa criando legendas para filmes mudos. Em 1939 se mudou para os Estados Unidos se tornando o expoente da “filmagem pura”, onde absolutamente tudo estava sob o controle do diretor.

Entre os clássicos dirigidos por Hitchcock estão Stranger on a Train, que traz a imagem inesquecível da freira de saltos altos, Psicose da antológica cena do chuveiro e Festim Diabólico, filmado praticamente sem cortes e com a câmera em movimento. Segundo o próprio Hitchcock, o mais importante era saber dosar os ingredientes certos para fazer o público gritar.

Dentre os grandes diretores de cinema, Alfred Hitchcock certamente figura como o mestre do suspense. Sua maneira de filmar acelerando os nervos das platéias a cada cena, quando unia montagem e música para criar suspense, estabeleceu um estilo e entrou para lista de melhores do século.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Tensão armamentista

Por Nilton Carvalho

A América Latina novamente será palco de um choque ideológico com o governo norte-americano. Tudo começou com o acordo bilateral entre Colômbia e os Estados Unidos, que irá aumentar a presença militar dos americanos na região.

Estados Unidos e o presidente colombiano Álvaro Uribe afirmam que o novo acordo irá intensificar o combate ao narcotráfico e às FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Se aprovada, esta seria a única base oficial na região, já que a base localizada em Manta (Equador) foi desativada.

É claro que os governos latino-americanos demonstraram insatisfação com o acordo. Desde os mais radicais como Hugo Chávez (Venezuela) e Rafael Correa (Equador) aos moderados Lula e Michelle Bachelet (Chile), todos manifestaram o desejo de marcar um encontro com o governo norte-americano para discutir o caso.

Ideologias à parte, novamente surge um delicado assunto político envolvendo o poderio militar norte-americano e sua influência na América Latina. As divergências entre Uribe e Chávez devem se acentuar com o projeto, que pode causar uma corrida armamentista desnecessária.

A tendência é que os governos latino-americanos dificultem o acordo. Muitos dos líderes contrários alegam que os Estados Unidos pretendem trazer para Colômbia uma quantidade desproporcional de armamentos para somente “combater” às FARC e, pelo visto, este polêmico acordo ainda será muito discutido nos próximos dias. Os povos latinos devem enfrentar uma nova tensão armamentista na região.