terça-feira, 22 de março de 2011

Confissões de um "quase-jornalista" em conflito

Nilton Carvalho, jornalista que escreve neste blog


Por Nilton Carvalho


A decisão de estudar jornalismo na faculdade veio da minha inquietação em relação ao mundo. Curioso, cético e sem identificação com o empreendedorismo da área administrativa, fui obrigado pelo destino a entrar para o time de Garcia Marquez e companhia. Bom, pelo que sei o jornalista e escritor colombiano não cursou faculdade, mas isso não vem ao caso.

Durante o primeiro ano, as disciplinas teóricas foram me afastando cada vez mais do meu emprego. Era insuportável fazer boas leituras, como Baudelaire, Theodor Adorno e Marilena Chauí e no dia seguinte atuar no departamento administrativo de uma multinacional.

O negócio foi ficando ainda mais complicado no segundo ano, quando as aulas ganharam praticidade, o que me deixava com muita vontade de ser jornalista, ou quem sabe até um profissional renomado.

Hoje, atuando na área, observo o universo de possibilidades e de caminhos que o jornalismo pode tomar. Agora, é possível perceber a responsabilidade que a profissão possui. Nas eleições deste ano pude notar o quanto é difícil buscar a isenção, pois imparcialidade não existe, como diria o velho jargão. Alguns casos de colegas que perderam o emprego por defenderem a verdade de determinados fatos que iam de encontro com a opinião do jornal me deixaram confuso sobre a nossa real função.

Outros preferem expor a violência em estado bruto, apoiados no sensacionalismo do jornalismo policial. Como se mostrar cenas mórbidas fosse capaz de “informar” melhor o telespectador. Bobagem. O jornalismo de hoje se sente no direito de direcionar os assuntos de relevância pública e sequer ouvem ou procuram conhecer a população para saber suas reais necessidades. Muitas vezes, nos esquecemos que somos prestadores de serviço e que temos uma missão social fundamentada na Constituição.

Dentre as diretrizes que venho aprendendo na universidade, muitas passam despercebidas dos jornalistas donos do saber, que ocupam seus tronos nas grandes redações. No entanto, espero poder contribuir para manter a credibilidade do ofício, que tanto fez pelo país em tempos difíceis de ditadura militar até a redemocratização.

Erros e acertos fazem parte da rotina de qualquer profissional, mas a sensação que fica é que o jornalismo deve seguir novos rumos em tempos digitais. Hoje, as redes sociais nos permitem conhecer melhor as pessoas, mas essas ferramentas ainda são pouco exploradas. No meu caso, em especial, sei que ainda tenho muito que aprender antes de finalizar o curso de jornalismo. Na verdade, terminar a faculdade não significa saber tudo porque a vida é um eterno aprendizado.

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